A exposição de produtos na loja é o tipo de ajuste que parece “só visual”, mas mexe diretamente no que o cliente vê, entende e coloca no carrinho.
Quando a organização facilita a escolha (e dá destaque ao que importa), você aumenta o tempo de permanência, reduz a confusão e cria mais oportunidades de compra por impulso.
A seguir, você vai encontrar 10 ideias práticas (e aplicáveis em lojas pequenas e grandes) para melhorar sua exposição no ponto de venda, com exemplos do que fazer, onde fazer e o que medir para saber se funcionou.
Antes das ideias: 3 princípios rápidos de uma boa exposição
1) Visibilidade vende
Se o cliente não vê, não compra. Exposição boa é a que coloca os itens certos no caminho do cliente e na altura certa.
2) Menos bagunça, mais decisão
Excesso de informação e produto amontoado travam a escolha. Curadoria (selecionar o que vai para a “linha de frente”) costuma vender mais do que tentar mostrar tudo ao mesmo tempo.
3) Exposição é um processo, não um evento
Não basta “arrumar” uma vez. A rotina de reposição, limpeza, precificação e troca de destaque mantém a loja viva e melhora o desempenho ao longo do mês.
1) Use a “regra do olhar”: coloque seus campeões na altura dos olhos
A área mais disputada da loja é a zona entre o peito e os olhos. Ela tende a receber mais atenção e gerar mais conversão.
Como aplicar:
- Liste os produtos com melhor margem, maior giro ou que você quer impulsionar.
- Coloque esses itens na altura dos olhos (ou em suportes mais altos, se for mesa/expositor).
- Deixe itens de baixa margem/baixo giro mais abaixo ou mais acima.
Exemplo prático: em uma loja de cosméticos, os kits e lançamentos ficam na prateleira central, e os refis/itens básicos vão para prateleiras inferiores.
O que medir: venda por SKU antes vs. depois da mudança e taxa de ruptura (produto que some da prateleira e não é reposto).
2) Crie um ponto focal (a “vitrine interna”) logo na entrada
Muita gente pensa só na vitrine externa, mas a entrada da loja é onde você “confirma” a promessa e dá direção ao cliente. Um display bem montado ali funciona como uma vitrine interna.
Como aplicar:
- Reserve 1 a 2 metros de área próxima à entrada para um expositor temático.
- Use poucos produtos (curadoria) e uma mensagem simples.
- Troque o tema com frequência (semanal ou quinzenal).
Ideias de tema: “mais vendidos”, “presentes até R$ 50”, “volta às aulas”, “verão”, “novidades da semana”.
O que medir: fluxo que entra (contagem manual por período) e conversão (vendas ÷ entradas).
3) Trabalhe com planograma (mesmo que simples) para padronizar a exposição
Planograma é um “mapa” de como os produtos devem ficar na prateleira: posição, quantidade de frentes (facings) e ordem. Isso evita que a loja dependa da memória do time e reduz bagunça.
Como aplicar sem complicação:
- Tire fotos do “padrão ideal” de cada gôndola/prateleira.
- Defina 3 regras: ordem (por marca/tamanho/uso), quantidade de frentes e itens que nunca podem faltar.
- Treine a equipe para repor seguindo esse padrão.
Dica: produtos com maior giro merecem mais frentes. Isso reduz ruptura e mantém o visual cheio.
O que medir: ruptura, tempo de reposição e consistência da exposição (checklist semanal).
4) Faça cross merchandising (exposição cruzada) para aumentar o ticket médio
Cross merchandising é expor produtos complementares lado a lado para estimular compras por associação. Funciona muito bem porque reduz o esforço de “lembrar” e procurar.
Como aplicar:
- Escolha 5 combos de complementares do seu mix.
- Crie microexposições perto do produto principal (ou em um ponto extra).
- Inclua uma sugestão simples: “Leve junto”, “Combina com”, “Complete seu kit”.
Exemplos práticos:
- Cafeteria/mercado: café + filtro + caneca.
- Moda: camisa + cinto + acessório.
- Pet shop: ração + petisco + tapete higiênico.
- Papelaria: caderno + caneta + estojo.
O que medir: aumento de itens por cupom e venda do “produto complementar”.
5) Use pontos extras para promover novidades, sazonalidade e queima de estoque
Ponto extra é uma exposição fora do lugar “natural” do produto (fora da gôndola principal), em local de destaque. Ele cria interrupção visual e aumenta a chance de descoberta.
Como aplicar:
- Defina 2 ou 3 pontos extras fixos (entrada, corredor principal, próximo ao caixa).
- Use para: lançamentos, produtos sazonais, kits e itens com estoque alto.
- Mantenha a exposição sempre “cheia” e bem precificada.
Erros comuns: ponto extra virar “depósito bonito” com produto aleatório e sem comunicação.
O que medir: giro do item promovido durante o período do ponto extra vs. período anterior.
6) Capriche na comunicação de preço (etiqueta clara vende mais)
Parece básico, mas é onde muita loja perde venda: produto sem preço ou com etiqueta confusa aumenta atrito e gera insegurança. Comunicação clara acelera a decisão.
Como aplicar:
- Padronize etiquetas: fonte legível, preço destacado, condição (à vista/parcelado) sem poluição.
- Em promoções, explique o “como”: “Leve 3 pague 2”, “2ª unidade -30%”.
- Em produtos técnicos, inclua 1 benefício curto: “anti-frizz”, “secagem rápida”, “garantia 1 ano”.
O que medir: perguntas de preço para a equipe (observação) e taxa de conversão em itens com etiqueta revisada.
7) Iluminação: destaque o que você quer vender (e esconda o que não ajuda)
Iluminação é merchandising silencioso. Ela guia o olhar e valoriza textura, cor e acabamento.
Como aplicar:
- Use luz direcionada (spots) em lançamentos e produtos de maior margem.
- Evite sombras em prateleiras altas e vitrines internas.
- Se possível, padronize a temperatura de cor para não “mudar” a cor real do produto (especialmente em moda e decoração).
Atalho barato: luminárias direcionáveis em displays estratégicos costumam gerar impacto sem reforma.
O que medir: venda de itens destacados e tempo de permanência na área (observação simples).
8) Monte “kits prontos” para facilitar a compra e aumentar margem
Kit pronto remove trabalho mental do cliente (“o que preciso levar?”) e aumenta ticket médio com percepção de valor.
Como aplicar:
- Crie 3 níveis: kit básico, kit completo e kit premium.
- Embale de forma simples (saquinho, caixa, cinta) e exponha junto.
- Dê nome ao kit (isso ajuda a vender): “Kit Home Office”, “Kit Skincare Iniciante”, “Kit Churrasco”.
Dica de ouro: kit não precisa ser desconto. Muitas vezes, a conveniência e a curadoria já justificam.
O que medir: ticket médio e participação de vendas em kits.
9) Organize o percurso: leve o cliente até os “pontos quentes”
Todo layout tem áreas naturalmente mais visitadas (pontos quentes) e áreas esquecidas (pontos frios). Seu trabalho é conduzir o fluxo e dar motivos para explorar.
Como aplicar:
- Coloque novidades e best-sellers em áreas que puxem o cliente para dentro.
- Use sinalização simples (placas suspensas, setas discretas) para indicar categorias.
- Em pontos frios, use ganchos de interesse: promoções, lançamentos ou itens de compra rápida.
Exemplo prático: se o fundo da loja é “frio”, posicione lá um balcão de atendimento, provador, seção de lançamentos ou um ponto extra temático.
O que medir: mapa de calor “manual” (observação em horários de pico) e vendas por zona da loja.
10) Explore a área do caixa sem virar “poluição” (impulso com critério)
O checkout é uma das áreas com maior potencial de compra por impulso, mas também pode virar bagunça e irritar o cliente se estiver lotado e confuso.
Como aplicar:
- Exponha produtos pequenos, de decisão rápida e baixo risco (até um valor que o cliente compra sem pensar demais).
- Tenha pouca variedade e boa reposição.
- Priorize itens que resolvem um “último detalhe”: pilhas, acessórios, brindes, miniaturas, itens de viagem.
O que medir: vendas desses itens por dia e taxa de anexação (quantos cupons levam pelo menos 1 item de impulso).
Checklist rápido: como implementar em 7 dias
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- Dia 1: escolha 20 SKUs prioritários (margem, giro e estratégia).
- Dia 2: reorganize prateleiras pela regra do olhar (altura dos olhos).
- Dia 3: monte a vitrine interna na entrada com tema claro.
- Dia 4: defina 5 combinações de cross merchandising e aplique.
- Dia 5: crie 2 pontos extras e estabeleça calendário de troca.
- Dia 6: revise etiquetas e comunicação de preço/benefícios.
- Dia 7: ajuste o checkout e fotografe o “padrão” (mini planograma).
Como expor produtos em loja pequena?
Priorize verticalização (prateleiras e expositores altos), curadoria (menos itens por vez, mais destaque) e kits prontos. Em espaços pequenos, a organização e a sinalização por categoria valem mais do que encher a loja.
De quanto em quanto tempo devo trocar a exposição?
Depende do fluxo e do tipo de produto, mas uma boa referência é trocar destaques semanalmente e fazer uma revisão geral quinzenal ou mensal. Ponto extra e vitrine interna costumam render mais quando mudam com frequência.
O que dá mais resultado: vitrine ou exposição interna?
Os dois se complementam. A vitrine atrai a entrada; a exposição interna converte. Se você já tem fluxo, comece melhorando entrada, pontos extras e regra do olhar. Se falta fluxo, a vitrine ganha prioridade.
Melhorar a exposição de produtos na loja não exige “reinventar” o seu ponto de venda: exige escolher prioridades, organizar por lógica de compra e criar destaque onde faz diferença. Comece pelo que dá retorno rápido (altura dos olhos, vitrine interna, cross merchandising e preço claro), meça por 2 a 4 semanas e ajuste.